Arquivo da tag: IFSul Campus Bagé

O monstro da Panela do Candal

Filme-carta realizado pelos alunos do IFSul Câmpus Bagé, nas oficinas do projeto “Inventar com a Diferença: cinema e direitos humanos”, projeto coordenado pela UFF-RJ, em parceria com Unipampa-Bagé e IFSul-Bagé.. O curta é uma adaptação do conto do escritor bageense Pedro Wayne, extraído do seu livro “A Lagoa da Música”, e narra a lenda do mostro da Panela do Candal pelo olhar dos jovens. Levando em conta o tempo presente, o sentido que sobressai a partir dos fragmentos do conto e da lenda, está na importância de cuidarmos do Arroio Bagé, pois as águas que ainda hoje abrigam o monstro caolho já não são mais as mesmas… Recebeu o Prêmio Memória & Patrimônio na categoria Lendas e Mitos, do 6º Festival Internacional de Cinema da Fronteira.

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IFSul no 4º Festival Internacional de Cinema da Fronteira

cinema

O IFSul Campus Bagé recebeu na noite do dia 25/11/2012 uma homenagem por apoiar e estimular o IV Festival Internacional de Cinema da Fronteira. O Campus ainda levou o troféu de Menção Honrosa por conta da produção do filme-documentário “Atos de Fé em Bagé“, realizado pelas alunas Luciana Gonçalves, Tamíris Soares, Andressa Lencina, Amanda Thomazi e Natalie Scherer. O trabalho originou-se do projeto de ensino e pesquisa chamado Narradores de Bagé, coordenado pelos Professores Lisandro Moura e Rafael Peter. A produção foi exibida durante a Mostra Regional do Festival, juntamente com outros filmes realizados na cidade de Bagé e região.

O documentário narra uma importante manifestação cultural-religiosa da cidade: a Procissão Luminosa de Nossa Senhora Auxiliadora, também conhecida como “Festa das Velas Votivas”. A procissão é uma prática tradicional que acontece oficialmente desde 1943, sendo parte do patrimônio histórico e cultural da cidade.

Desde 2011 o IFSul vem apostando na formação dos estudantes para o uso das tecnologias audiovisuais, especialmente o cinema, mediante projetos de extensão coordenados pelo professor de Sociologia Lisandro Moura, tais como o Cinema e Educação em Debate, o Cine Matinal, o Narradores de Bagé e o Projeto Cinema e Cultura Indígena, o qual contou com a participação da cineasta da etnia Mbya-Guarani, Patricia Ferreira (Keretxu), que vive na Tekoá Koenju (Aldeia Alvorecer), localizada na região de São Miguel das Missões. Assim, com o apoio do IFSul, foi aberto um espaço na programação do IV Festival Internacional de Cinema da Fronteira para a discussão a respeito de questões étnico-culturais a partir dos filmes dirigidos pela cineasta indígena.

Durante a 4ª edição do Festival, foi lançado também um manifesto pela criação de uma Film Comission, com representação do IFSul, a instalação de um estúdio e laboratórios de áudio e vídeo na Secretaria Municipal de Cultura, a criação de um projeto modelo RodaCine municipal, o fortalecimento do Programa Cinema da Fronteira, da Secretaria de Cultura, a expansão do Festival Internacional de Cinema da Fronteira e a criação de uma curso de Cinema na Unipampa. O manifesto, lançado na presença do Prefeito Dudu Colombo, tem amplo apoio da população e de uma rede extensa de artistas, professores, estudantes, jornalistas, que vêm trabalhando para transformar Bagé numa cidade referência na produção cinematográfica.

Lançamento do Manifesto pelo Cinema em Bagé. Foto de Franciele Teixeira

Lançamento do Manifesto pelo Cinema em Bagé. Foto de Franciele Teixeira

Equipe do Grupo Narradores de Bagé que produziu o vídeo Atos de Fé em Bagé

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Flash Mob de Leitores: um recreio inusitado

por Lisandro Moura

No dia 22 de junho de 2012 aconteceu o primeiro Flash mob no IFSul-Campus Bagé! Assim que se ouviu o sinal para o intervalo, os alunos da tarde foram surpreendidos por leitores espalhados pelo pátio da escola. O recreio se transformou num palco para uma encenação lúdica e educativa promovida pelos alunos do 2º semestre de Informática e previamente planejada durante as aulas de Sociologia. A atividade contou também com a colaboração e participação do prof. Nei, da Filosofia. Todos com um livro em mãos, lendo concentradamente, como se tudo fosse normal. Quem dera. Não é natural encontrar vários alunos e alunas sentados ou deitados na grama do pátio, imersos na leitura. Simplesmente o espaço foi modificado pela ação coletiva inusitada, aparentemente espontânea, que deu um novo significado para a vivência do recreio. Quando os demais alunos saíram de suas salas perceberam algo de estranho, uns comentaram “Olha, que bonito, todos estão lendo! Temos que tirar foto!” Outros, sem entender direito, perguntavam: é aula de que? Aula de leitura? O que ta acontecendo?!” Outros mais chegados, foram logo pegando o seu livrinho pra se juntar a comunidade de leitores, sem perguntar o motivo de tudo aquilo. Simplesmente porque era bonito de ver e, melhor ainda, bonito de fazer. A presença do sol fez com que a leitura-performance ficasse mais prazerosa e a cena ainda mais bela. Como é bonito ver alguém lendo, e mais bonito ainda é ler coletivamente, mesmo que por um curto período de tempo. É assim que funcionam os flash mobs pelo mundo todo. As pessoas se reúnem num determinado local e hora marcada com o intuito de causar espanto no público, mediante encenação ligeira sem objetivos explícitos. Depois todos se dispersam como se nada tivesse acontecido. Nonsense.

 Como todos os flash mobs, este também não surgiu do nada. O flash mob de leitores faz parte de uma proposta de ensino que venho desenvolvendo nos últimos anos. Trata-se de exercitar uma nova forma de aprender sociologia através de vivências coletivas, sempre pensando no objetivo final de produzir o estranhamento e a desnaturalização de fenômenos sociais – que segundo as Orientações Curriculares Nacionais, correspondem à finalidade principal da Sociologia no Ensino Médio. Isso pode ser feito de várias formas: saídas de campo, aulas em formato de assembleia, caminhadas pela cidade, etnografias em comunidades tradicionais ou em ambientes urbanos, rituais imersivos (ou experimentações imersivas: aulas em ambientes específicos, regada a comida, bebida e música) e, sobretudo, na forma de performances coletivas, ao estilo dos flash mobs e smart mobs, que nada mais são do que ações espontâneas, efêmeras e previamente combinadas que visam provocar o estranhamento e a desintitucionalização de práticas cotidianas.

Antes do flash mob de leitores, os alunos foram estimulados a pensar sobre as formas de se ocupar lugares, a pensar sobre as nossas instituições que, muitas vezes, orientam condutas e definem padrões de comportamento. A sociologia nos ajuda a entender o quanto nossas vidas são regidas por “forças invisíveis”, por normas previamente enraizadas no inconsciente coletivo. Essas normas, ao mesmo tempo que são fatores de coesão social e protegem a sociedade contra estados de “anomia”, são também coercitivas e reduzem nossa capacidade de intervenção, limitam a nossa autonomia. Pensar sobre elas já é um convite à transgressão e à subversão de valores socialmente aceitos. Uma vida, para ser vivida em sua plenitude, depende dessa capacidade de transformação dos nossos hábitos rotineiros, de nossa percepção subjetiva e objetiva do espaço, enfim, de nossa maneira de estar presente no presente. Trata-se de pensar sobre nossos ritos.

Os flash mobs produzem deslocamentos de olhar e deslocamentos do corpo, pois os espaços passam a ser imaginados e ocupados de forma pouco convencional. Na verdade, os espaços passam a ser desorganizados e redefinidos. Se nada disso aconteceu, pois muitos alunos sequer notaram a presença estranha de leitores, o que é extremamente preocupante(!), ao menos o flash mob de leitores nos proporcionou um rico momento de leitura ao sol. Estudantes, aguardem as cenas do próximo capítulo!

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Identidade de Fronteira

Teve início no último sábado, 3 de junho,  o projeto de ensino Identidade de Fronteira: práticas sociais e culturais no território bageense, coordenado pelos professores Lisandro Lucas de Lima Moura (Sociologia) e Ariel Salvador Roja Fagúndez (História). A proposta faz parte do Projeto Integrador do Departamento de Ensino, cujo tema geral deste semestre é a Gestão Territorial. O Projeto Integrador é uma atividade de caráter interdisciplinar promovida semestralmente pelo IFSul, do qual participam todos os professores e alunos, em diferentes projetos.

A gestão do território refere-se à forma com que atores sociais e econômicos ocupam um determinado espaço geográfico, imprimindo nele sua cultura, usos e costumes diversos, enfim, o seu modo de produzir, de pensar e de agir.

A proposta do Grupo de Trabalho Identidade de Fronteira: práticas sociais e culturais no território bageense, é identificar, na simplicidade da vida cotidiana, os aspectos sociais, históricos e culturais do território bageense. Esse território compreende um espaço fronteiriço, onde se misturam as práticas culturais de brasileiros e uruguaios, formando uma identidade própria que pode ser visualizada nos ritos, nos mitos, na fala, nas festas populares, na religiosidade, etc. Essas manifestações culturais devem ser levadas em conta quando se pensa em formas alternativas de desenvolvimento econômico, baseadas numa cultura solidária, participativa e coletiva.

O primeiro encontro do Grupo aconteceu no Parque do Gaúcho, lugar onde se pode apreciar os costumes e a simplicidade do povo do sul. A primeira palavra que parece se ouvir destes campos é imensidão. Dizem que o homem e a mulher do pampa enxergam mais longe.. É verdade. E que coisa mais sem graça é não sentir o pé no chão.. A sabedoria indígena nos ensina isso. Nestes pagos é impossível não perceber a força telúrica que liga o ser humano ao seu contexto, ao seu chão, a sua terra.

http://nasombradoumbu.blogspot.com/

http://www.ifsul.edu.br


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Mostra de Iniciação Científica do IFSul-Bagé

Nesta segunda-feira (7), o IFSul-Campus Bagé, realizou a sua 1ª Mostra de Iniciação Científica. Foram apresentados os projetos desenvolvidos pelos alunos por meio de pesquisas sobre aspectos históricos e culturais do município, realizados ao longo de 2010. Trata-se de apresentações de trabalhos de pesquisas produzidos por estudantes do campus Bagé, dos cursos técnicos em Agropecuária e Informática.

A iniciação à pesquisa é trabalhada desde o início dos cursos, na disciplina de Metodologia Científica, coordenada pelos professores Fernando Montes D´Oca, Lisandro Moura e Sandra Vieira.

Conforme o organizador da mostra, Lisandro Moura, durante todo o semestre, os alunos estudam técnicas básicas de investigação, as relações entre ciência e senso comum, metodologias e técnicas de pesquisa, elaboração de um projeto de pesquisa, critérios de redação e formatação de trabalhos.

“Os alunos escolhem um tema de seu interesse, normalmente algo próximo do seu cotidiano e de sua experiência de vida, e ao longo da pesquisa mantém aulas regulares de duas horas semanais e encontros paralelos com orientadores. Ao final do semestre, os estudantes entregam o trabalho por escrito e apresentam oralmente para os demais colegas e para uma banca de avaliação constituída por professores do IFSul”, explicou Moura.

Conforme o professor, ao aproximar os alunos do universo da pesquisa, a proposta de trabalho auxilia desde cedo a compreender melhor o processo de construção do conhecimento, que está intimamente vinculado às atividades de ensino e aprendizagem.

“A produção de conhecimento não se dá simplesmente por assimilação de conteúdos, mas sim mediante a construção dos objetos que se pretende conhecer, ou seja, mediante experiência ativa dos alunos”, ressaltou.

Fonte: Emanuel Muller – Jornal Folha do Sul (Bagé) com alterações

http://www.folhadosulgaucho.com.br/?p=2&n=7752

Fonte: IFSul http://www.ifsul.edu.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=940:campus-bage-promove-seminario-e-realiza-mostra-de-iniciacao-cientifica&catid=100:campus-bage

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IFSul-Bagé, uma escola em construção

Não foi por acaso que decidi sair de Porto Alegre e voltar para Bagé, cidade que considero meu chão, meu pago, apesar de nela não ter nascido. Mas é neste rincão que guardo minha memória afetiva, meus primeiros amigos e amores, onde vivi minha infância e adolescência, sempre na rua, correndo atrás dos cuscos, andando de carrinho de lomba aos arredores da rodoviária, tocando a campainha das casas pra fugir correndo, brincando de polícia e ladrão, em que eu era sempre o ladrão…

Decidi fazer o concurso para professor de Sociologia do IFSul, no Campus de Bagé. Passei e decidi aceitar a vaga, não por falta de opção, mas porque tenho devaneios. Quero ajudar a construir a escola com que sempre sonhei e, através dela, reencantar a educação e reinventar a cidade. Pode parecer utopia, e é. Mas para que serve a utopia? Respondo com as palavras de Galeano: “serve para eu não deixar de caminhar”. A utopia está no horizonte, e o futuro precisa ser construído.

O prédio do IFSul em Bagé já está em processo de conclusão. A inauguração do campus está prevista para o mês de março. Desde o ano passado todos nós servidores (professores e técnico-administrativos), estamos instalados no Colégio São Pedro, onde estudei quando criança, e conclui o ensino fundamental. Coincidência? Eu diria que não:  “todo encontro casual é um encontro marcado”, como dizia o mestre inspirador deste blog, Julio Cortázar. Mais uma vez, não estou aqui por acaso. Pretendo fazer parte desta escola em construção, fazer dela um lugar onde eu possa me sentir bem com os outros, onde eu possa desenvolver minhas potencialidades humanas, e defender meus princípios, mesmo na conflituosa diversidade de ações e pontos de vista que coexistem em qualquer processo coletivo de construção do futuro. A vida é uma constante batalha, cujos únicos perdedores são os indiferentes.

Sendo assim, a partir de hoje o leitor e a leitora deste blog vão encontrar muitos textos sobre os dilemas da educação, do ensino da Sociologia nas escolas, bem como as vivências e os projetos futuros no IFSul e na cidade de Bagé.

Pra começar, quero compartilhar um textinho singelo e muito bonito que o chefe do Dpto de Ensino do IFSul escreveu sobre a construção da escola, no blog http://nasombradoumbu.blogspot.com/.

No livro “Viagem a Portugal”, José Saramago, em um de seus infindáveis parágrafos, imagina-se uma pedra no piso de uma igrejinha no interior de Portugal, mais de 400 anos de história, imagina tudo o que a pedra viu e pensou…imagino nosso Umbu, certamente mais jovem que a pedra, mas quanta coisa deve ter visto, quanta coisa ele ainda verá…à sua sombra construiremos uma escola, sonhada e desejada pelo povo de Bagé e região, da escolha do terreno até o início da sua construção foram 27 meses de luta, uma boa luta, que agora inicia novo round, rumo a “mais bela escola da rede federal”, e o nosso amigo Umbu, por enquanto, abriga as bicicletas dos operários…” (Gabriel Bruno)

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