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A ideologia da profissionalização no dia do professor(a)

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Por Lisandro Moura

Bate o ponto, assina a folha, registra a falta. E a presença também. O horário é fixo, o tempo é curto e, se chegar atrasado, a supervisão registra. Formula ementa, plano de aula e plano de ensino e cronograma de atividades. No mínimo duas avaliações objetivas com registro em ata e com assinatura de ciência dos educandos. Corrigir provas e fechar as médias. Não se esquecer de passá-las para o sistema. Reuniões com os pais e alguns projetos de ensino, pesquisa e extensão. E, no mínimo, centenas de alunos para ensinar e acompanhar. Pega mal esquecer o nome de alguém. Entre uma aula e outra, um tempo de sobra para preencher formulários e escrever memorandos e ofícios de solicitação.

No discurso da Educação existe uma ideia generalizada, quase um senso comum, de que a valorização do trabalho docente passa pelo reconhecimento de um valor de ordem profissional, reconhecido pelas leis do “contrato social” republicano. Penso, ao contrário, que a precarização do trabalho docente é uma tragédia que tem origem, justamente, na ideologia da profissionalização. Essa ideologia faz de tudo para situar o professor numa relação de submissão ao Estado ou à empresa privada. Ao identificar os professores e professoras como “categoria profissional”, o conjunto das instituições sociais nada mais faz do que objetificar ainda mais o trabalho docente, proletarizando-o, ao invés de emancipá-lo.

A ideologia da profissionalização, dentro da lógica de poder, funciona como produtora de generalidades. Transforma vidas humanas reais e diversas em simples entidades classistas homogêneas e abstratas. E assim, o ofício de educar, que tem suas raízes históricas no trabalho primordial do mestre, passa a ser identificado como mera ação instrumental a serviço dos tecnocratas do poder de cima. Ação essa que é tomada somente enquanto parte da ordem econômica e jurídica da divisão do trabalho. Na escola-fábrica tentam nos identificar como trabalhadores multifuncionais, polivalentes, gestores de subjetividades, fazedores de café, cumpridores de horários, batedores de ponto, especialistas em tabelas orçamentárias e formulários de gestão, meros cumpridores de editais. Não que devêssemos estar livres desses procedimentos tão comuns nas mais variadas profissões. O problema é que o trabalho do professor está cada vez mais dependente das amarras institucionais puramente formais e que gozam de uma certa “legalidade” ilegítima.

Pergunto a mim mesmo: o que eu faço com tudo isso? O que estamos fazendo realmente com o nosso tempo de trabalho? E no intervalo do pensamento, no desvio da atenção, quando a vigília está suspensa, o sonho pede passagem e um lampejo de fantasia vem à tona na forma de lição, que aprendi com as professoras e professores que cruzaram meu caminho: o ensino implica algo a mais do que o seu significado manifesto. Vai muito além da objetividade funcionalista da escola-fábrica. O trabalho da educação é, no fundo, “um trabalho de nós próprios sobre nós próprios”. Um trabalho sobre a manifestação da nossa própria existência. Haja coragem!

Gratidão aos meus alunos e alunas por darem sentido a minha vida.

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Histórias de Trabalho em Bagé

Texto de apresentação da Revista Histórias de Trabalho em Bagé, intitulado Escritas do mundo do trabalho.

Capa baixa resolução

Capa da revista. Arte: Hiago Faria. Foto de capa: Diego Lameira

por Lisandro Moura

As histórias aqui reunidas resultam de um trabalho de sala de aula realizado com estudantes do IFSul Campus Bagé, na área de Sociologia e no contexto do projeto Narradores de Bagé[1]. Os alunos e alunas do 6º semestre dos cursos de Agropecuária e Informática, integrados ao Ensino Médio, tiveram como tarefa a elaboração de narrativas literárias baseadas em histórias reais do cotidiano de quem vive do e para o trabalho. Os protagonistas são pessoas da cidade de Bagé e região, muitas delas próximas do convívio familiar dos estudantes-autores, o que faz da escrita um gesto de afeto ao próximo.

Os textos selecionados comportam imagens e personagens do mundo do trabalho, que em meio às adversidades da vida conseguem evocar um horizonte de possibilidades para quem busca uma vida com sentido. Captando com sensibilidade as minúcias laboriosas do cotidiano de cada personagem, os(as) jovens autores(as) nos convidam a visitar as memórias pessoais e coletivas que dão o tom das mais diversas profissões e ofícios. Vidas narradas de personagens profundamente humanos, que nos ensinam valores e atitudes indispensáveis pelo modo como vivenciam as contradições sociais do trabalho e as condições de suas próprias limitações.

O dilema das prostitutas e transexuais que vivem e sobrevivem nas calçadas e becos noturnos da cidade; a valsa imaginada pelo autor do texto, que dá ritmo às batidas repetitivas do antigo ferreiro; as resignações e relações afetivas do coveiro com o cemitério onde trabalha há anos; o solitário escritor-inventor que cria cenários a partir do alto da sua janela; o cotidiano arriscado de um trabalhador quileiro da região de Aceguá; a emoção remota que a parteira deixa transparecer ao realizar o milagre do seu trabalho; a fé e a generosidade da benzedeira Doninha; a dimensão trágica e heroica que se manifesta no trabalho de um bombeiro… São tantas histórias e lições de vida que não cabem neste texto. Todas elas falam da vida como trabalho e do trabalho como vida. Falam, sobretudo, do trabalho que não se deixa capturar pelo emprego formal, pois está associado à manifestação de um valor pessoal e afetivo. O trabalho com sentido em meio a uma vida de incertezas. O trabalho como espaço do devir e não apenas como produto de uma relação alienante, mesmo que ele esteja, quase sempre, situado numa estrutura de exploração e expropriação. A vivência subjetiva do trabalho ganha aqui um destaque superior ao modo como o trabalho se realiza no plano objetivo das relações sociais.

A cidade de Bagé é o palco onde as ações do enredo se desenvolvem. No entanto, apesar do cenário ser local, as narrativas sugerem também indícios do drama universal vivido pelos sujeitos do trabalho. A universalidade das histórias ganha relevância porque a forma de contá-las é figurativa, o que pode levar o leitor a se identificar com cada uma delas e, ao mesmo tempo, indagar se são histórias reais ou imaginadas, suprimindo assim os limites entre a realidade e a ficção. A escrita assume dimensões subjetivas importantes de modo que a imaginação passa a orientar o processo narrativo. A imaginação como matriz do ato criativo, como faculdade que permite revelar a veracidade do irreal ao transpor a objetividade desencantada dos “fatos sociais”.

O sentido pedagógico pensado nesse projeto está situado justamente nesse limiar entre o real e o imaginário. Estamos trabalhando com uma sociologia que se preocupa mais em mostrar as minúcias do labor diário do que explicar, julgando, suas causas e contradições. É o olhar que descreve os acontecimentos habituais em torno do trabalho para amplificar nossa percepção sobre os mesmos. Uma perspectiva, portanto, que investe com prioridade nas figurações do trabalho e nas formas sensíveis da vida cotidiana. Podemos falar, assim, de uma experiência de ensino que tem como finalidade a aprendizagem de um olhar fértil sobre os fenômenos sociais, um olhar atento aos pequenos gestos que são quase imperceptíveis ao observador apressado. Essa atenção imaginante está fundamentada na aproximação intuitiva entre o sujeito que narra e o objeto narrado, devido ao envolvimento dos estudantes que, em alguns momentos, se colocam também como participantes das histórias contadas.

Por fim, antes de mergulharmos nas figurações, memórias e afetos do mundo do trabalho, é imprescindível dizer que a organização desta revista surgiu de uma parceria com o Laboratório de Leitura e Produção Textual da Unipampa (LAB) e foi acompanhada e sustentada por pessoas valiosas que, de uma forma ou de outra, foram corresponsáveis pela inspiração e finalização deste material. Menciono, em primeiro lugar, a Prof.ª Clara Dornelles, coordenadora do LAB, que gentilmente abraçou a ideia de publicar este trabalho realizado por alunos do IFSul, com recursos do projeto de extensão da Unipampa, Escrita colaborativa e experimental no Jornal Universitário do Pampa (PROEXT-MEC). Em segundo lugar, meus agradecimentos especiais à jornalista Giuliana Bruni por espalhar a magia do jornalismo literário em oficinas realizadas no LAB e em outros espaços da cidade, como no IFSul, universidades e escolas. Graças ao trabalho que ela realiza, em colaboração com o jornalista Felipe Laud, em projetos como o Pessoas de Bagé (Facebook) e nas oficinas voltadas para a escrita criativa de não-ficção, é possível pensar na literatura como substrato rico para o aprendizado e o exercício do olhar sociológico na escola.

[1] Projeto de ensino com o qual viemos desenvolvendo, desde 2011, trabalhos que apresentam em textos e imagens a diversidade das manifestações sociais e culturais da cidade de Bagé.

Fotos do lançamento, na Livraria Café & Prosa

Figura 2 - Autores e organizador da revista durante lançamento - Foto Giuliana Bruni

Autores e organizador da revista durante lançamento

Figura 3- Coordenadora do LAB, professora Clara Dornelles ao lado do coordenador e organizador da revista, professor Lisandro Moura - Foto Giuliana Bruni

Coordenadora do LAB, prof. Clara Dornelles e Lisandro Moura.

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O monstro da Panela do Candal

Filme-carta realizado pelos alunos do IFSul Câmpus Bagé, nas oficinas do projeto “Inventar com a Diferença: cinema e direitos humanos”, projeto coordenado pela UFF-RJ, em parceria com Unipampa-Bagé e IFSul-Bagé.. O curta é uma adaptação do conto do escritor bageense Pedro Wayne, extraído do seu livro “A Lagoa da Música”, e narra a lenda do mostro da Panela do Candal pelo olhar dos jovens. Levando em conta o tempo presente, o sentido que sobressai a partir dos fragmentos do conto e da lenda, está na importância de cuidarmos do Arroio Bagé, pois as águas que ainda hoje abrigam o monstro caolho já não são mais as mesmas… Recebeu o Prêmio Memória & Patrimônio na categoria Lendas e Mitos, do 6º Festival Internacional de Cinema da Fronteira.

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Cinema e Educação em Debate + Oficina de documentário com Isaac Chueke

Oficina de Filme Documentário com Isaac Chueke (RJ)

De 26 a 30 de setembro, no Campus do IFSul

Horário: das 9h às 12h e das 14 às 17h

             Antecipando as atividades do III Festival de Cinema da Fronteira, o IFSul e a Secretaria Municipal de Cultura trazem a Bagé o diretor de cinema Isaac Chueke, que fará uma oficina sobre a produção de filmes documentários. Isaac é formado em jornalismo na PUC-RJ, e atua na área de cinema e vídeo desde 1989 como diretor, roteirista, editor e fotógrafo. Isaac produziu e dirigiu duas séries de documentários exibidas no Canal Brasil, chamadas “Conversa Fiada“.

            Nestes filmes, Isaac retrata com bom humor a manifestação oral dos moradores de diversas cidades brasileiras, que vivenciam as ruas de maneira espontânea e profundamente vinculada às suas necessidades práticas. Uma verdadeira teia de acontecimentos pitorescos protagonizados por figuras populares tipicamente urbanas.

            Ao final da Oficina, os participantes produzirão dois filmes de curta duração sobre aspectos sociais e culturais da cidade de Bagé. Os filmes produzidos serão inscritos no III Festival de Cinema da Fronteira, que acontecerá em novembro, em Bagé.

Cinema e Educação em Debate

27 e 28 de setembro, às 19h no auditório do IFSul

Aproveitando a presença do diretor carioca, Isaac Chueke, e a série de oficinas cinematográficas que estão acontecendo em Bagé, oferecidas pela Secretaria de Cultura, o IFSul, em parceria com Unipampa, Secretaria de Educação e Secretaria de Cultura, está organizando um evento sobre as relações entre cinema e educação. A ideia é refletirmos sobre práticas pedagógicas a partir do uso e da produção de filmes na escola, evidenciando a importância de qualificarmos o trabalho com o cinema na sala de aula.

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Imaginário Educacional

Começa amanhã, 9 de maio de 2011, o mini curso Contribuições do Imaginário na Educação Acadêmcia e Profissional, com a participação do prof. Alberto Filipe de Araujo, da Universidade do Minho.

O curso tem como finalidade apresentar e desenvolver temas e conteúdos do Imaginário Educacional com vistas a proporcionar a interlocução e a interdisciplinaridade entre a educação acadêmica e a educação profissional; mostrar o valor do trânsito entre as vertentes diurnas e noturnas do imaginário, presentes na vida e no conhecimento como artes de ser, de viver e de formar. E como princípios, a abertura deste campo de estudos junto aos estudantes, profissionais e pesquisadores de diferentes áreas do saber e instituições; o respeito pelo debate e experimentação da construção coletiva de conhecimento, na perspectiva da superação dos lugares institucionalmente legitimados de saber.

GEPIEM – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Imaginário, Educação e Memória

http://wp.ufpel.edu.br/gepiem/

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Os usos da imagem nas aulas de sociologia

O campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) recebe nos dias 5, 6 e 7 de maio acadêmicos e pesquisadores de diferentes países para o I Encuentro de las Ciencias Humanas y Tecnológicas para la Integración en el Conosur (ECHTEC). Vinte e seis simpósios e 535 propostas de trabalhos para apresentação já foram inscritos no evento, que integra várias instituições acadêmicas associadas à Internacional del Conocimiento, grupo de pesquisa do Instituto de Estudos Avançados – IDEA, da Universidade de Santiago do Chile (USACH).

Na acasião, vou apresentar minha pesquisa realizada em 2010 sobre o uso imagem no ensino da Sociologia:  fotografias, vídeos, filmes, documentários, etc.

Título do Trabalho: Os usos de recuros didáticos visuais no ensino da Sociologia

Autor: Lisandro Lucas de Lima Moura

Resumo do trabalho:

O trabalho é resultado de uma pesquisa qualitativa realizada com professores(as) de Sociologia de escolas de nível médio do Brasil sobre os usos de recursos didáticos visuais na sala de aula (filmes, vídeos, fotografias etc..) O objetivo é compreender de que forma as linguagens visuais podem contribuir para a compreensão da vida social e enriquecer a prática pedagógica de professores(as) de Sociologia, para além da simples informação sobre temas e conteúdos curriculares. Através de um trabalho pedagógico com imagens, busca-se ampliar as possibilidades de uma prática interdisciplinar, de modo a privilegiar a dimensão do estético, do poético e do imaginário nas Ciências Sociais. A busca por uma metodologia de ensino inovadora no uso de imagens em sala de aula precisa levar em conta o conhecimento produzido pelo campo da Sociologia Visual (ou Sociologia da Imagem) como forma de possibilitar o exercício da imaginação sociológica mediante a educação do olhar.

Dia: quinta-feira, 5 de maio de 2011

Horário: 9h

Local: IFSul – Campus Pelotas

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Mostra de Iniciação Científica do IFSul-Bagé

Nesta segunda-feira (7), o IFSul-Campus Bagé, realizou a sua 1ª Mostra de Iniciação Científica. Foram apresentados os projetos desenvolvidos pelos alunos por meio de pesquisas sobre aspectos históricos e culturais do município, realizados ao longo de 2010. Trata-se de apresentações de trabalhos de pesquisas produzidos por estudantes do campus Bagé, dos cursos técnicos em Agropecuária e Informática.

A iniciação à pesquisa é trabalhada desde o início dos cursos, na disciplina de Metodologia Científica, coordenada pelos professores Fernando Montes D´Oca, Lisandro Moura e Sandra Vieira.

Conforme o organizador da mostra, Lisandro Moura, durante todo o semestre, os alunos estudam técnicas básicas de investigação, as relações entre ciência e senso comum, metodologias e técnicas de pesquisa, elaboração de um projeto de pesquisa, critérios de redação e formatação de trabalhos.

“Os alunos escolhem um tema de seu interesse, normalmente algo próximo do seu cotidiano e de sua experiência de vida, e ao longo da pesquisa mantém aulas regulares de duas horas semanais e encontros paralelos com orientadores. Ao final do semestre, os estudantes entregam o trabalho por escrito e apresentam oralmente para os demais colegas e para uma banca de avaliação constituída por professores do IFSul”, explicou Moura.

Conforme o professor, ao aproximar os alunos do universo da pesquisa, a proposta de trabalho auxilia desde cedo a compreender melhor o processo de construção do conhecimento, que está intimamente vinculado às atividades de ensino e aprendizagem.

“A produção de conhecimento não se dá simplesmente por assimilação de conteúdos, mas sim mediante a construção dos objetos que se pretende conhecer, ou seja, mediante experiência ativa dos alunos”, ressaltou.

Fonte: Emanuel Muller – Jornal Folha do Sul (Bagé) com alterações

http://www.folhadosulgaucho.com.br/?p=2&n=7752

Fonte: IFSul http://www.ifsul.edu.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=940:campus-bage-promove-seminario-e-realiza-mostra-de-iniciacao-cientifica&catid=100:campus-bage

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IFSul-Bagé, uma escola em construção

Não foi por acaso que decidi sair de Porto Alegre e voltar para Bagé, cidade que considero meu chão, meu pago, apesar de nela não ter nascido. Mas é neste rincão que guardo minha memória afetiva, meus primeiros amigos e amores, onde vivi minha infância e adolescência, sempre na rua, correndo atrás dos cuscos, andando de carrinho de lomba aos arredores da rodoviária, tocando a campainha das casas pra fugir correndo, brincando de polícia e ladrão, em que eu era sempre o ladrão…

Decidi fazer o concurso para professor de Sociologia do IFSul, no Campus de Bagé. Passei e decidi aceitar a vaga, não por falta de opção, mas porque tenho devaneios. Quero ajudar a construir a escola com que sempre sonhei e, através dela, reencantar a educação e reinventar a cidade. Pode parecer utopia, e é. Mas para que serve a utopia? Respondo com as palavras de Galeano: “serve para eu não deixar de caminhar”. A utopia está no horizonte, e o futuro precisa ser construído.

O prédio do IFSul em Bagé já está em processo de conclusão. A inauguração do campus está prevista para o mês de março. Desde o ano passado todos nós servidores (professores e técnico-administrativos), estamos instalados no Colégio São Pedro, onde estudei quando criança, e conclui o ensino fundamental. Coincidência? Eu diria que não:  “todo encontro casual é um encontro marcado”, como dizia o mestre inspirador deste blog, Julio Cortázar. Mais uma vez, não estou aqui por acaso. Pretendo fazer parte desta escola em construção, fazer dela um lugar onde eu possa me sentir bem com os outros, onde eu possa desenvolver minhas potencialidades humanas, e defender meus princípios, mesmo na conflituosa diversidade de ações e pontos de vista que coexistem em qualquer processo coletivo de construção do futuro. A vida é uma constante batalha, cujos únicos perdedores são os indiferentes.

Sendo assim, a partir de hoje o leitor e a leitora deste blog vão encontrar muitos textos sobre os dilemas da educação, do ensino da Sociologia nas escolas, bem como as vivências e os projetos futuros no IFSul e na cidade de Bagé.

Pra começar, quero compartilhar um textinho singelo e muito bonito que o chefe do Dpto de Ensino do IFSul escreveu sobre a construção da escola, no blog http://nasombradoumbu.blogspot.com/.

No livro “Viagem a Portugal”, José Saramago, em um de seus infindáveis parágrafos, imagina-se uma pedra no piso de uma igrejinha no interior de Portugal, mais de 400 anos de história, imagina tudo o que a pedra viu e pensou…imagino nosso Umbu, certamente mais jovem que a pedra, mas quanta coisa deve ter visto, quanta coisa ele ainda verá…à sua sombra construiremos uma escola, sonhada e desejada pelo povo de Bagé e região, da escolha do terreno até o início da sua construção foram 27 meses de luta, uma boa luta, que agora inicia novo round, rumo a “mais bela escola da rede federal”, e o nosso amigo Umbu, por enquanto, abriga as bicicletas dos operários…” (Gabriel Bruno)

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