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A lição do fracasso no cinema dionisíaco de Woody Allen

Por Lisandro Moura*

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Woody Allen resume a vida numa piada antiga: “Duas mulheres mais velhas estão num resort nas montanhas e uma delas diz: ‘Nossa, a comida nesse lugar é terrível’. A outra diz: ‘É! Você sabe… e em porções tão pequenas!’”.

O recado foi dado no filme Annie Hall (1977), traduzido para o português como Noivo neurótico, noiva nervosa. A atitude é típica de quem assume o humor como ponto de vista sobre o mundo. Através da piada, do afeto às avessas, do jogo das relações, das máscaras e da obsessão paranoica o diretor desvenda o mundo das aparências e se põe em contato com seus próprios fracassos, que também são os nossos.

O autoconhecimento nunca foi caminho fácil. É preciso um pouco de humor. No papel de Alvy Singer, Woody Allen se utiliza das estratégias do riso para fazer falar os dramas mais profundos do ser humano, aqueles que todos queremos esquecer.  Assim, o diretor/personagem torna o caminho da autoanálise um processo menos doloroso, fazendo dele um percurso iniciático repleto de descobertas, confrontos e aceitação. Ser aquilo que se é, eis a mágica de Dionísio, tão necessária para os dias de hoje.

Bem, isso é essencialmente o que eu penso da vida. Cheia de solidão e miséria e sofrimento e infelicidade, e ainda assim tudo acaba depressa demais.” A aceitação trágica é um pessimismo aparente, pois em realidade, o que o personagem quer nos passar é que há uma espécie de vantagem em ser infeliz, uma expressão do amor fati (Nietzsche), amor ao destino e, sobretudo, amor ao acontecimento: “Devemos estar muito gratos por sermos infeliz”, diz Alvy, o protagonista. Mesmo que a vida seja horrível, nada supera o fato de não querermos vivê-la. Temos esse exemplo na cena da infância de Alvy, no diálogo com a mãe sobre o fim do mundo. Quando o menino demonstra preocupação com uma inevitável catástrofe, o médico aconselha: “temos que tentar nos divertir enquanto estamos aqui.”

A arte suprema deste filme é a lição trágica de dizer sim à vida a pesar das ambivalências e obstáculos do caminho. Aceitar e não sofrer. Ou simplesmente aceitar, sofrer e curtir a dor, extrair dela uma dose embriagante de humor. Confrontar-se consigo mesmo e fazer piada do próprio fracasso.

O sentido do filme Annie Hall, ou seja, o aspecto trágico da existência e as relações da personagem com o mito dionisíaco, só é possível de se compreender pela forma cinematográfica entendida como linguagem artística, apesar do tom intelectual dos trabalhos do Woody Allen. O conteúdo do filme faz referências a questões diversas da tradição do pensamento filosófico, psicanalítico e da comunicação. A cena dividida com McLuhan é um artifício inteligente e muito raro no universo do cinema, e da o que pensar ainda hoje, 38 anos depois do lançamento de Annie Hall.

Cena com Marshall McLuhan

Cena com Marshall McLuhan

Porque é na forma, mais do que no conteúdo, que o diretor tentar expor sua lição. Somente a partir da forma/linguagem é que o sujeito receptor toma consciência do conteúdo transmitido pela arte. O personagem controverso, protagonizado por Allen, ganha vida pela maneira nada convencional de narrar os acontecimentos existenciais. A arte do diretor, nesse caso, é capaz de transformar o absurdo da vida, a ilusão da existência, em uma estética da fabulação. O diretor parece não se situar no domínio seguro que dissocia o real da fantasia, pois a todo o momento o espectador se depara com uma quebra da narrativa ficcional, quando o personagem assume seu papel de diretor (Alvy assumindo o papel de Woody Allen) e olha para o espectador atrás da tela, como quem busca situar-se no lugar do público para fazer uma intepretação da interpretação dos fatos. O imaginário, nesse caso, opera como fomentador de um processo criativo e hiperativo que abala as expectativas seguras e conformadas do espectador acostumado com a separação entre realidade e ficção.

Da mesma maneira, o passado e o presente se entrecruzam frequentemente ao longo do filme, dando vazão e fluidez ao instante vivido. Os traumas da infância são literalmente assumidos na vida adulta, fazendo com que o personagem adulto volte ao passado para intervir nos acontecimentos da infância. A memória é sempre formulada a partir de um ponto de vista do presente, quando o próprio diretor se coloca na posição da criança, justificando, assim, os comportamentos excêntricos de uma personalidade impulsiva e nervosa: “Só estava exprimindo uma curiosidade sexual saudável!”, diz o adulto Alvy, ao justificar para a professora o beijo dado na colega de classe, aos seis anos de idade.

São essas características que fazem do deus Dionísio o mito fundador do cinema de Woody Allen em Annie Hall. Isso porque cada existência humana, cada história humana, cada obra humana, carrega traços e gestos paradigmáticos de divindades míticas, mesmo que já tenhamos passado por um intenso processo de racionalização em termos civilizatórios. Com o cinema não é diferente, pois – por se tratar de uma narrativa simbólica – seu conteúdo fala mais ao domínio do imaginário do que ao domínio dos fatos. Revela mais a verdade de uma imagem mítica do que a imagem da verdade. Queiramos ou não, o mito continua sendo uma realidade humana antropológica e fundadora de estéticas existenciais, personalidades e identidades sociais.

A perspectiva de Woody Allen aponta na direção dessa hipótese. Apesar de o diretor se utilizar de artifícios técnicos e racionais (apolíneos) na elaboração do conteúdo e do argumento fílmico, há nas entrelinhas da linguagem a insistência metafórica dos arquétipos dionisíacos tencionando a trama e dando um sentido simbólico à obra como um todo. Dionísio é o deus da embriaguez, da imaginação expansiva, do entusiasmo primordial e da ruptura com a norma social. Através da arte de Woody Allen, ele se faz presente, como evocação, para embaralhar nossas certezas e revelar o lado trágico do humano, a aceitação do fracasso interior e exterior como uma grande e divertida piada.

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*Texto publicado originalmente no Junipampa

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O monstro da Panela do Candal

Filme-carta realizado pelos alunos do IFSul Câmpus Bagé, nas oficinas do projeto “Inventar com a Diferença: cinema e direitos humanos”, projeto coordenado pela UFF-RJ, em parceria com Unipampa-Bagé e IFSul-Bagé.. O curta é uma adaptação do conto do escritor bageense Pedro Wayne, extraído do seu livro “A Lagoa da Música”, e narra a lenda do mostro da Panela do Candal pelo olhar dos jovens. Levando em conta o tempo presente, o sentido que sobressai a partir dos fragmentos do conto e da lenda, está na importância de cuidarmos do Arroio Bagé, pois as águas que ainda hoje abrigam o monstro caolho já não são mais as mesmas… Recebeu o Prêmio Memória & Patrimônio na categoria Lendas e Mitos, do 6º Festival Internacional de Cinema da Fronteira.

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IFSul no 4º Festival Internacional de Cinema da Fronteira

cinema

O IFSul Campus Bagé recebeu na noite do dia 25/11/2012 uma homenagem por apoiar e estimular o IV Festival Internacional de Cinema da Fronteira. O Campus ainda levou o troféu de Menção Honrosa por conta da produção do filme-documentário “Atos de Fé em Bagé“, realizado pelas alunas Luciana Gonçalves, Tamíris Soares, Andressa Lencina, Amanda Thomazi e Natalie Scherer. O trabalho originou-se do projeto de ensino e pesquisa chamado Narradores de Bagé, coordenado pelos Professores Lisandro Moura e Rafael Peter. A produção foi exibida durante a Mostra Regional do Festival, juntamente com outros filmes realizados na cidade de Bagé e região.

O documentário narra uma importante manifestação cultural-religiosa da cidade: a Procissão Luminosa de Nossa Senhora Auxiliadora, também conhecida como “Festa das Velas Votivas”. A procissão é uma prática tradicional que acontece oficialmente desde 1943, sendo parte do patrimônio histórico e cultural da cidade.

Desde 2011 o IFSul vem apostando na formação dos estudantes para o uso das tecnologias audiovisuais, especialmente o cinema, mediante projetos de extensão coordenados pelo professor de Sociologia Lisandro Moura, tais como o Cinema e Educação em Debate, o Cine Matinal, o Narradores de Bagé e o Projeto Cinema e Cultura Indígena, o qual contou com a participação da cineasta da etnia Mbya-Guarani, Patricia Ferreira (Keretxu), que vive na Tekoá Koenju (Aldeia Alvorecer), localizada na região de São Miguel das Missões. Assim, com o apoio do IFSul, foi aberto um espaço na programação do IV Festival Internacional de Cinema da Fronteira para a discussão a respeito de questões étnico-culturais a partir dos filmes dirigidos pela cineasta indígena.

Durante a 4ª edição do Festival, foi lançado também um manifesto pela criação de uma Film Comission, com representação do IFSul, a instalação de um estúdio e laboratórios de áudio e vídeo na Secretaria Municipal de Cultura, a criação de um projeto modelo RodaCine municipal, o fortalecimento do Programa Cinema da Fronteira, da Secretaria de Cultura, a expansão do Festival Internacional de Cinema da Fronteira e a criação de uma curso de Cinema na Unipampa. O manifesto, lançado na presença do Prefeito Dudu Colombo, tem amplo apoio da população e de uma rede extensa de artistas, professores, estudantes, jornalistas, que vêm trabalhando para transformar Bagé numa cidade referência na produção cinematográfica.

Lançamento do Manifesto pelo Cinema em Bagé. Foto de Franciele Teixeira

Lançamento do Manifesto pelo Cinema em Bagé. Foto de Franciele Teixeira

Equipe do Grupo Narradores de Bagé que produziu o vídeo Atos de Fé em Bagé

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III Festival de Cinema da Fronteira – Bagé RS

Tem início no dia 10 de dezembro deste ano o III Festival de Cinema da Fronteira, em Bagé (RS). A cidade prepara-se para um grande espetáculo cultural nos seus 200 anos, recebendo pessoas de várias regiões do Brasil e de países visinhos. O cinema vem ganhando espaço na agenda das instituições políticas e educacionais de Bagé. O Festival é idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura e conta com o apoio das principais instituições de ensino da cidade (Unipampa, IFSul e Urcamp), que vem percebendo o potencial da sétima arte como instrumento de conhecimento das raízes culturais da região e de desenvolvimento local. O fortalecimento das redes de cultura e arte na cidade, especialmente da produção de filmes, passa, necessariamente, pela inserção de novas perspectivas econômicas fundadas no trabalho coletivo e solidário em substituição às velhas práticas competitivas e excludentes. Fator de coesão, de construção de laços entre habitantes da cidade, o cinema contribui para a valorização da memória coletiva, estimula a diversidade cultural, além, é claro, de promover a inclusão social. Espera-se que o Festival de Cinema da Fronteira, na sua terceira edição, cada vez mais gigante, possa mexer com corações e mentes dos bageenses durante uma semana de atividades intensas. Confira a programação completa:

Curadoria:

Aurora Miranda Leão – auroraleao@hotmail.com

(51) 9715.2578 e (85) 8793.8767

Comissão Artísita: Carmem Barros, Eliane Pacheco, Fabiane Lázzaris, Lisandro Moura, Sandra Camerini, Vera Medeiros e Zeca Brito.

Juri: Boca Migotto, Frederico Ruas, Mariana Xavier e Virgínia Simone.

PROGRAMAÇÃO DO III FESTIVAL de CINEMA DA FRONTEIRA

BAGÉ, DE 10 A 17 DE DEZEMBRO

SMC – Secretaria Municipal de Cultura

CHST – Centro Histórico Vila de Santa Thereza

CCPW – Centro Cultural Pedro Wayne

LCA – Largo do Centro Administrativo 

MDDSMuseu Dom Diogo de Souza

10/12 – sábado

18h – ABERTURA OFICIAL – BOSQUE SMC

19h – ESPETÁCULO MITOLOGIAS DO CLÃ – GRUPO FALOS & STERCUS (RS)

21h – SHOW DA BANDA VIAJANTES DO ÉDEN – BOSQUE SMC

22h – EXIBIÇÃO DO FILME ANAHY DE LAS MISIONES, DE SÉRGIO SILVA  (co-produção Brasil-Argentina) – CINE 7

23h – PROGRAMAÇÃO SOCIAL

11/12 – domingo

14h – MOSTRA YAYA VERNIERI – ASILOS: Vila Vicentina/ Auta Gomes

14h – EXIBIÇÃO DO LONGAMETRAGEM ANTES QUE O MUNDO ACABE  (RS), DE ANA LUIZA AZEVEDO – CHST

16h – MOSTRA YAYA VERNIERI –  CHST (CENTRO DO IDOSO)

17h – PROJETO DANÇA NOS BAIRROS –  CHST

17h30  MOSTRA BINACIONAL  – CHST

18h – COQUETEL –  ESPAÇO MADRE MARIA / VOLTA AO MUNDO NAS CORDAS DO VIOLÃO – EDEMAR SANTOS – CHST

18h – EXIBIÇÃO DE NETTO PERDE SUA ALMA (RS), DE TABAJARA RUAS E BETO SOUZA – CINE 7

20h – BÊNÇÃO AOS ARTISTAS DA SÉTIMA ARTE – MISSA CELEBRADA PELO BISPO DOM GILIO FELÍCIO, ACOMPANHADO DO CORAL AUXILIADORA E DO TENOR FLÁVIO LEITE – CATEDRAL SÃO SEBASTIÃO

21h30 – EXIBIÇÃO DO FILME EL BAÑO DEL PAPA (UR), DE CÉSAR CHARLONE E ENRIQUE FERNANDÉZ – Projeto RODACINE – PRAÇA DA CATEDRAL

23h45 – FESTA NO ESPAÇO MADRE MARIA COM EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO O ANJO PRETO (ES) DE GUI CASTOR

12/12 – segunda-feira

15h – FESTin BAGÉ: MOSTRA DA LUSOFONIA – CHST

17h – EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO LUTZENBERGER: FOR EVER GAIA (RS), DE FRANK COE e OTTO GUERRA, PARTICIPAÇÃO DE ALEXANDRE FREITAS, DA FUNDAÇÃO GAIA, 52min –  CHST

18h – DEBATE COM GRUPO ECOARTE (ecologia e cultura)

19h – MOSTRA BINACIONAL  – CHST

20h – FESTin BAGÉ: MOSTRA DA LUSOFONIA  – APRESENTAÇÃO DA REALIZADORA ADRIANA NIEMEYER – UNIPAMPA

20h – EXIBIÇÃO DO FILME DEU PRA TI ANOS 70 (RS), DE GIBA ASSIS BRASIL E NELSON NADOTTI – CINE 7

21h – EXIBIÇÃO DO FILME OLGA, DE JAYME MONJARDIM – PROJETO RODACINE NA PRAÇA RIO BRANCO – PRAÇA DE DESPORTOS     

22h – EXIBIÇÃO DE INVERNO (RS), LONGA DE ESTREIA DE CARLOS GERBASE – CHST

 

13/12 – terça-feira

15h – EXIBIÇÃO DO FILME O CAMINHO DE KANDAHAR (IRÃ), DE MOHSEN MAKHMALBAF – CHST

16h – DEBATE FRONTEIRAS POLITICAS –  FILÓSOFO LUIS RUBIRA  (UFPEL)  – CHST

18h – MOSTRA BINACIONAL – CHST

18h – EXIBIÇÃO DO FILME NOITE DE SÃO JOÃO (RS), DE SÉRGIO SILVA – CINE 7

19h30 – EXIBIÇÃO DE O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, DE ROGÉRIO SGANZERLA –  CHST

21h – HOMENAGEM À ATRIZ HELENA IGNEZCHST

21h – EXIBIÇÃO DO FILME EM TEU NOME (RS), DE PAULO NASCIMENTO – Projeto RODACINE – PRAÇA HABITAR BRASIL

21h30 – EXIBIÇÃO DO FILME LUZ NAS TREVAS, DE HELENA IGNÊZCHST

23h – PROGRAMAÇÃO SOCIAL

14/12 – quarta-feira

14h – MESA REDONDA CULTURA SEM FRONTEIRAS –  Salão Nobre da Prefeitura Municipal

17h – MOSTRA BINACIONAL  – CHST

18h30 – CAMERATA DE FLAUTAS DO IMBA – CHST

19h – HOMENAGEM A JEAN-CLAUDE BERNADETCHST

20h – PROJETO DANÇA NOS BAIRROS & ACADEMIA BIOCENTER – PRAÇA DE DESPORTOS

21h – EXIBIÇÃO DO FILME HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES (RS), DE JORGE FURTADO –projeto RODACINE  – PRAÇA DE DESPORTOS

22h – EXIBIÇÃO DO FILME EM TEU NOME (RS), DE PAULO NASCIMENTO – CINE 7       

22h – EXIBIÇÃO DE A ÚLTIMA ESTRADA DA PRAIA(RS), DE FABIANO DE SOUZA – CHST

23h – PROGRAMAÇÃO SOCIAL

15/12 – quinta-feira

15h – SESSÃO ESPECIAL – EXIBIÇÃO DO FILME ANJO PRETO (ES), DE GUI CASTOR – CHST

18h – MOSTRA BINACIONAL – CHST

20h – EXIBIÇÃO DO FILME O GURI (RS), DE ZECA BRITO – CHST

22h – EXIBIÇÃO DO FILME CONTOS GAUCHESCOS (RS), DE HENRIQUE DE FREITAS LIMA – PRESENÇA DO DIRETOR – CINE 7

23h – PROGRAMAÇÃO SOCIAL

15/12 – quinta-feira – Aceguá

15h – EXIBIÇÃO DO FILME EL BARRIO DE LOS JUDIOS (UR), DE GONZALO RODRÍGUEZ FABREGAS – AUDITÓRIO MUNICIPAL

16h – RODA DE SAMBA NA LINHA IMAGINÁRIA – GRUPO MESA DE BAR

17h – FESTin BAGÉ: MOSTRA DA LUSOFONIA  – AUDITÓRIO MUNICIPAL

19h – EXIBIÇÃO DO FILME EL CÍRCULO (UR), DE JOSÉ PEDRO CHARLO E ALDO GARAYAUDITÓRIO MUNICIPAL

21h – EXIBIÇÃO DO FILME NETTO PERDE SUA ALMA (RS), DE TABAJARA RUAS – PRESENÇA DO DIRETOR – Projeto RODACINE – LINHA IMAGINÁRIA

23h – PROGRAMAÇÃO SOCIAL

16/12 – sexta-feira

14h – EXIBIÇÃO DO FILME GIGANTE (UR), DE ADRIAN BINIEZ  – CHST

16h – EXIBIÇÃO DO FILME DANÚBIO (RS), DE HENRIQUE DE FREITAS LIMA – CHST

17h – DANÇA DE RUA COM O GRUPO STREET BLACK MOVIMENT – CHST

18h – EXIBIÇÃO DE WHISKY (UR), DE JUAN PABLO REBELLA E PABLO STOLL  – CHST

20h – MOSTRA REGIONAL – BAGÉ 200 ANOS – CHST

23h – FESTA CELEBRAÇÃO AO URUGUAI / BIG BAND (IMBA) e BANDA DEDOCHES – CHST

24h – SESSÃO BANDIDA – EXIBIÇÃO DO FILME O BANDIDO DA LUZ VERMELHA, DE ROGÉRIO SGANZERLA –  CHST

 

16/12 – sexta-feira – Candiota

17h – EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO LUTZENBERGER: FOR EVER GAIA (RS), DE FRANK COE e OTTO GUERRA, PARTICIPAÇÃO DE ALEXANDRE FREITAS, DA FUNDAÇÃO GAIA, 52min –   SALÃO SINDICATO DOS MINEIROS

21h – EXIBIÇÃO DO FILME CONTOS GAUCHESCOS (RS), DE HENRIQUE DE FREITAS LIMA  –  Projeto RODACINE

17/12 – sábado

15h – ENTRE ARTE E CIÊNCIA: OS USOS DO AUDIOVISUAL NA PESQUISA EM CIÊNCIAS HUMANAS – CONFERÊNCIA COM LUCIANA HARTMANN (UNB) – CCPW

18h – EXIBIÇÃO DO FILME JAMÁS LEÍ A ONETTI (UR), DE PABLO DOTTA   – CINE 7

21h – SOLENIDADE DE PREMIAÇÃO – MDDS

GRUPO DE DANÇA DO IMBA – A SAGA DOS COLONIZADORES

MESTRES DE CERIMÔNIA INGRA LIBERATO e LEONARDO MACHADO

NÚMEROS MUSICAIS COM LORENA VIEIRA & IVON LEO MONTEIRO – MDDS

21h – FESTin BAGÉ: MOSTRA DA LUSOFONIA  – LCA

22h – SHOW  LISANDRO AMARAL E GRUPO – LCA

23h – FESTA DE CONGRAÇAMENTO  –  ATELIER COLETIVO

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III Festival de Cinema da Fronteira – BAGÉ RS

AURORA DE CINEMA BLOG – http://auroradecinema.wordpress.com/2011/11/25/setima-arte-vai-aportar-em-bage-a-partir-do-dia-10/

Em suas duas primeiras edições, 2009 e 2010, o Festival de Cinema da Fronteira foi praticamente uma experiência desbravadora. Realizado com vontade e determinação pelos voluntários do centro Histórico Vila de Santa Thereza, pessoas interessadas em propagar a arte do cinema e que tinham por objetivo resgatar os laços históricos da cidade com a Sétima Arte, além de valorizar a produção regional estabelecendo diálogos com o cinema contemporâneo e latino.

Em 2011, celebrando os 200 anos de Bagé, o Festival assume novas dimensões. Sendo realizado pela Secretaria de Cultura da Prefeitura e produzido pela Primeiro Corte Produções.

O crítico e ensaísta Jean-Claude Bernadet ministará seminário e será homeageado

A ideia é tornar a região um pólo cinematográfico, já que Bagé é uma referência de produção artística, iniciada com o lendário grupo de Bagé, nas artes visuais. Atualmente, a cidade abriga quatro universidades, as quais, juntamente com a Secretaria de Cultura,  vem fomentando a produção regional por meio de ações prévias ao Festival.

O Programa Cinema da Fronteira, idealizado pela Secretaria de Cultura de Bagé, vem oferecendo oficinas gratuitas de audiovisual, fomentando ações cineclubistas e mostras informativas em escolas e espaços públicos. A região foi uma das locações do premiado filme uruguaio O Banheiro do Papa e, atualmente, é a locação principal de O Tempo e o Vento, novo longa-metragem de Jayme Monjardim. Para tanto, está sendo construída a cidade cenográfica de Santa Fé, contando com mão-de-obra local. Os realizadores do Festival de Cinema da Fronteira acreditam no cinema como alternativa de desenvolvimento econômico e social para a região.

Duas mostras competitivas – Bagé 200 anos e Mostra Binacional – e três mostras não competitivas – Yaya Vernieri, Festin Bagé – Mostra da Lusofonia, e Mostra de Longas-Metragens, compõem o III Festival de Cinema da Fronteira que será uma janela de exibição da produção regional, brasileira e uruguaia, criando um espaço de confluência cultural na região da campanha.

Com o empenho e dedicação com os quais a Prefeitura de Bagé e todas as entidades ligadas ao evento estão consagrando ao Festival, e ainda através de uma cuidadosa curadoria, estima-se uma profícua contribuição deste evento para a formação do olhar e consolidação do enorme manancial artístico-cultural bageense, além do salutar exercício prático de aprendizado cinematográfico através da realização de seminários, debates e intercâmbios culturais.

Paralelamente a esses objetivos, o festival busca a integração dos municípios de Candiota, Hulha Negra e Aceguá, cidades ligadas por laços afetivos e históricos. A produção cinematográfica uruguaia também será contemplada em mostra especial, visando à integração entre os povos da fronteira sul.

As questões de fronteira estarão permeando as diversas discussões e debates, sejam elas políticas, étnicas, religiosas, e, sobretudo, as fronteiras da linguagem.

A curadoria do Festival é assinada pela jornalista e realizadora Aurora Miranda Leão, contando com a colaboração de uma comissão artística formada por Carmem Barros, Eliane Pacheco, Fabiane Lázzaris, Lisandro Moura, Sandra Camerini, Vera Medeiros e Zeca Brito, artistas de Bagé.  No júri de seleção da mostra competitiva Binacional, os realizadores gaúchos Boca Migotto, Frederico Ruas, Mariana Xavier e Virgínia Simone. Ao todo, foram inscritos mais de 120 filmes.

Além das mostras, o festival apresenta uma programação paralela envolvendo shows, performance do grupo Falos e Stercus, apresentações ao ar livre, gastronomia e ações sócio-ambientais, estas  um dos carros-chefe do evento. Para a abertura, o tenor Flávio Leite irá cantar, ao lado do Coral Auxiliadora, a belíssima Missa Crioula de Ariel Ramirez, conduzida pelo bispo Dom Gilio Felicio.

Em 2011, Bagé, conhecida como Rainha da Fronteira por sua localização geográfica estratégica nas demarcações territoriais brasileiras, completa 200 anos de fundação. Para assinalar a celebração, a Prefeitura vem firmando parceria com diversas instituições, unindo-se à comunidade de modo a marcar indelevelmente esta passagem de tempo. O objetivo maior do III Festival de Cinema da Fronteira é cunhar a marca do Cinema na história presente da bicentenária Bagé.

O III Festival de Cinema da Fronteira é uma realização da Prefeitura Municipal de Bagé – Secretaria Municipal de Cultura, com patrocínio do Banrisul e Supermercados Peruzzo, apoio institucional da Unipampa, IFSul e Urcamp, e produção da Primeiro Corte Produções.

  • A lista de selecionados do Festival deve ser divulgada na próxima segunda-feira.

Fonte: Aurora de Cinema Blog: http://auroradecinema.wordpress.com/2011/11/25/setima-arte-vai-aportar-em-bage-a-partir-do-dia-10/

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15ª Mostra do Filme Etnográfico – RJ

Cinema e Antropologia. Mostra Internacional do Filme Etnográfico no Rio de Janeiro, com a presença dos mais importantes nomes do cinema etnográfico:

Rolf Husmann, diretor do Festival de Gothingan (Alemanha) e do filme “The Professional Foreigner: Asen Balikci and Visual Ethnography”; Nora Bateson, diretora de “An ecology of mind”, sobre as ideias de seu pai, o antropólogo Gregory Bateson; Emmanuel Grimaud, do Centre national de la recherche scientifique (CNRS) e diretor de “Kings of the beetle”; Takumã Kuikuro e Leonardo Sette, diretores de “As hiper mulheres”, premiado em Gramado; Chico Guariba, diretor de “Os Japoneses no Vale do Ribeira”; Rose Satiko, antropóloga da USP e diretora de “Lá do Leste”; Carlos Alberto de Mattos, crítico de cinema; e Joel Pizzini, diretor de “Elogio da graça”.

Site: http://www.mostraetnografica.com.br/

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Cinema e Educação em Debate + Oficina de documentário com Isaac Chueke

Oficina de Filme Documentário com Isaac Chueke (RJ)

De 26 a 30 de setembro, no Campus do IFSul

Horário: das 9h às 12h e das 14 às 17h

             Antecipando as atividades do III Festival de Cinema da Fronteira, o IFSul e a Secretaria Municipal de Cultura trazem a Bagé o diretor de cinema Isaac Chueke, que fará uma oficina sobre a produção de filmes documentários. Isaac é formado em jornalismo na PUC-RJ, e atua na área de cinema e vídeo desde 1989 como diretor, roteirista, editor e fotógrafo. Isaac produziu e dirigiu duas séries de documentários exibidas no Canal Brasil, chamadas “Conversa Fiada“.

            Nestes filmes, Isaac retrata com bom humor a manifestação oral dos moradores de diversas cidades brasileiras, que vivenciam as ruas de maneira espontânea e profundamente vinculada às suas necessidades práticas. Uma verdadeira teia de acontecimentos pitorescos protagonizados por figuras populares tipicamente urbanas.

            Ao final da Oficina, os participantes produzirão dois filmes de curta duração sobre aspectos sociais e culturais da cidade de Bagé. Os filmes produzidos serão inscritos no III Festival de Cinema da Fronteira, que acontecerá em novembro, em Bagé.

Cinema e Educação em Debate

27 e 28 de setembro, às 19h no auditório do IFSul

Aproveitando a presença do diretor carioca, Isaac Chueke, e a série de oficinas cinematográficas que estão acontecendo em Bagé, oferecidas pela Secretaria de Cultura, o IFSul, em parceria com Unipampa, Secretaria de Educação e Secretaria de Cultura, está organizando um evento sobre as relações entre cinema e educação. A ideia é refletirmos sobre práticas pedagógicas a partir do uso e da produção de filmes na escola, evidenciando a importância de qualificarmos o trabalho com o cinema na sala de aula.

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Histórias Curtas filmado em Bagé

Divulgo texto que escrevi sobre a exibição de “O Sabiá”, dirigido por Zeca Brito, apresentado em HISTÓRIAS CURTAS no sábado passado na RBS TV. O texto foi publicado no Bastidores da TV e no Jornal Minuano da cidade de Bagé.

 

Onélia e Alcíbio

O Sabiá e os destinos da cidade

por Lisandro Moura, professor de Sociologia do IFSul

O curta-metragem bageense O Sabiá, exibido no programa Histórias Curtas da RBS TV, surge como oportunidade para pensarmos um modelo alternativo de desenvolvimento para a cidade. O filme, talvez, não tenha sido feito com esta intenção, mas depois que ele chega aos olhos dos espectadores, o diretor não tem mais o controle do destino e do significado de sua obra. Podemos fazer da imagem aquilo que compreendemos dela, podemos construir significados múltiplos a partir de uma referência única. Através das narrativas visuais, podemos até reconstruir nossa própria história.

É o que acontece quando ouvimos as estórias e vemos os gestos do senhor Alcíbio e da Dona Onélia, personagens reais do filme dirigido por Zeca Brito. O que nos surpreende na oralidade e nas expressões corporais desses remanescentes de quilombos não é a simplicidade da vida cotidiana, mas a memória social que ali se torna visível: a cultura, os ritos, os ritmos, a fala, enfim, um saber-fazer que foi praticamente apagado pela história oficial, pela crença numa sociedade puramente racional e instrumental que nega a dimensão simbólica e mágica da experiência humana. Por muito tempo pensou-se que o termo “desenvolvimento” era simplesmente sinônimo de crescimento econômico, ideia esta que reduzia a complexidade da vida aos valores de mercado.

Na contramão dessa concepção está o artigo 68 das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, que assegura aos remanescentes das comunidades dos quilombos a propriedade definitiva das terras ocupadas, cabendo ao Estado a emissão dos títulos. O termo quilombo assume novos significados, diferentes da concepção arcaica produzida pelo discurso escravista. Os Quilombolas expressam a resistência étnica e política por meio da reprodução dos seus modos de vida singulares e da reivindicação de um território próprio. A organização social desses grupos e as técnicas produtivas tradicionais estão vinculadas aos seus valores culturais e, por isso, não podem estar ameaçadas pelo modelo hegemônico de desenvolvimento.

Outra perspectiva de futuro, não associada ao simples fator econômico, busca olhar para a sociedade em sua totalidade. Busca reconhecer que existem outras formas de produzir, de viver e de interagir com o outro, e que isso também deve ser levado em conta nas decisões políticas e econômicas. São formas de desenvolvimento ajustadas às necessidades do presente e sustentadas por uma cultura solidária, participativa e coletiva.

No dia da Consciência Negra, o filme O Sabiá resgata com sensibilidade a memória social da cidade de Bagé, e coloca em cena novos atores e sujeitos políticos, novos heróis, permitindo à população bageense reconstruir sua história e ampliar o horizonte de expectativas.

Fonte: clicrbs – Bastidores da TV

http://wp.clicrbs.com.br/bastidoresdatv/2010/11/25/sobre-a-exibicao-de-o-sabia-em-historias-curtas/?topo=48,1,1,,,48

 

Assista ao trailer do filme:

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